quarta-feira, 20 de maio de 2015

No âmbito da comemoração do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor...Assistente Operacional Alcina do Vale

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NA MINHA VIDA
           
Para mim, a leitura é indispensável! Divirto-me, aprendo, sonho…
          A leitura transporta-me para lugares diferentes, em cada livro que leio. Abstraio-me da realidade e transporta-me para a terra dos sonhos.
         Hoje sou detetive, amanhã exploradora, noutro dia serei uma rainha! Já fui o principezinho e até mesmo um cão guia. Consegui sê-lo através da leitura, doutra forma só seria Alcina; o meu eu seria mais simples, menos completo, sem experiências lidas que transformam a realidade em sonho.
         A vida só vale se for vivida e dentro dos livros encontram-se muitas vidas, que nos preparam para viver a nossa.
       Devemos aprender todos os dias. Eu aprendo aqui (na escola) com os colegas, alunos e professores e, nos tempos de lazer… aprendo com os livros!


Assistente Operacional Alcina do Vale

domingo, 17 de maio de 2015

No âmbito da comemoração do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor...Professora Olga Correia

- Só lês porcarias.- lá estava a minha mãe a implicar comigo.
- Porcarias, não! Estes livros aos quadradinhos ensinam-me muita coisa- replicava eu.
 E era verdade. Se assim não fosse, como é que eu tinha conhecido o “Major Alvega?”, “ O Super-Homem”? “O Capitão América?” e “O tio Patinhas?” .
Agora que em lembrei do Tio Patinhas, não desdenhem. Com ele aprendi o valor do dinheiro. Forreta (mão de vaca, em português do Brasil), naquela altura, anos 70, o pato “triolionário”, quer isto dizer, mais do que três vezes milionário, ensinou-me que só poupando se tem. Atrás dele havia toda uma família de personagens que, desde a vóvó Donalda, ao Professor Pardal, e aos terríveis irmãos Metralha, fizeram parte do meu tempo dedicado à leitura, do qual nunca me arrependerei.
Um dia, e para provar que não lia “só porcarias”, fui buscar à estante um livro pesado. Hoje sei que era pesado no conteúdo mas apresentava-se leve no formato.  “Frei Luís de Sousa”, assim se chamava a obra que tinha em mãos. Teria aí, talvez, uns dez anos. Resolvi lê-lo. Não percebi nada. Daquela história trágica ficou-me uma frase: “quem és tu Romeiro?” – “Ninguém”! – foi a resposta. Uns anos mais tarde, outro livro, outra história, outro personagem, outro diálogo. Era Ulisses na caverna de Polifemo. Também a ele lhe perguntaram quem era, e ele respondeu : “Ninguém!”. Passei assim a dar muita importância  a esta palavra, pois, pelos vistos, era muito prática para respostas rápidas.
Entretanto, não tardou muito para me embrenhar nas “aventuras dos cinco” (às “dos sete” nunca liguei), e passei a apreciar a gastronomia inglesa desde o pequeno-almoço ao jantar. Sabia o que comiam os britânicos, e eu, passei a apreciar. Só não gostava de picles, de resto, acompanhava sempre bem as suas refeições, e nunca tive problemas de digestão. Ah! Também não engordava a ler. Além do mais, nem podia, pois também era detetive - sabia escrever com tinta invisível, só para dar um exemplo simples- daí que, era necessário correr muito na rua atrás de vilões perigosíssimos, pondo em prática o que líamos nestes livros que nos encantavam. Se não tínhamos dinheiro para os comprar, havia sempre quem emprestasse, e as bibliotecas tinham-nos para quem os quisesse ler.
Mais tarde, mas não muito mais, fiquei a saber muitos pormenores sobre a mitologia grega e entre tantas personagens, acabei por descobrir o poder das paixões. Só que estas, agora, eram lidas em coleções povoadas de gente ficcional mas que pareciam de carne e osso, tal era a veracidade dos dramas vividos entre tantas letras e parágrafos.
Milhares de folhas depois, descobri que não sou capaz de estar longe deste objeto quase sagrado; o livro. Do cheiro que carrega, ao poder que aquelas letras possuem para preencherem o meu dia a dia, sou “livrodependente” sem que daí advenha prejuízo. Muito pelo contrário. É um vício que não necessita de reabilitação.

                                                           Prof.ª Olga Correia 

No âmbito da comemoração do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor...Professora Natália Pereira

Monólogo de um livro

     Olá! Sou o teu amigo livro!….
     Se me deixares acompanho-te durante toda a tua vida!…
     Enquanto fores bebé, sou pequeno e feito de esponja para não te magoares. Podes dobrar-me, morder-me e até levar para o banho. Espero ser um dos teus brinquedos favoritos!
      Com os primeiros passos, as primeiras descobertas: o “poco”, a “gainha” e o “mé-mé”. Tenho muitos desenhos, grandes e coloridos, várias texturas e janelinhas para abrir. Ignoras as palavras que ainda não te dizem nada. Às vezes um adulto conta-te uma história, a qual escutas com muita atenção.
      Vais crescer e até já tens uma mochila para a escola. Começas a juntar as letras e descobres a magia das palavras. Aprendes a ler e associas as frases aos desenhos: “O pato faz quá-quá”. Procuras-me nas prateleiras, cada vez mais volumoso, com letras cada vez mais pequeninas.
      Chega o tempo de aventuras. Gostas de me desfolhar e encontrar ação, vilões, mistérios por resolver, fadas, princesas e diários de meninos e meninas como tu. Muitas vezes faço parte de uma coleção e aguardas ansiosamente pelo próximo número. Se me utilizares regularmente, até participas em concursos de leitura e escrita.
      Está na altura de aprenderes outras línguas: inglês, espanhol ou francês. Descobres a dimensão global da leitura; nem todos lêem como tu. Por vezes até pensas: “Era mais fácil se falássemos todos a mesma língua”. Vais encontrar-me em livros de aventuras, diários, romances, histórias verídicas, enciclopédias e até dicionários. Pesquisas sobre aqueles que me dão vida.
      Enquanto adulto, tentas fugir ao stress e escolhes-me para relaxar. Os enredos são complexos e misteriosos. Saboreias cada palavra, aguardando ansiosamente pelo desenrolar da história e respetivo final. Oxalá te possa transmitir sabedoria, mas também o simples prazer da leitura.
      Espero que o livro que te acompanhe também passe por um novo ciclo. Ao novo “ser” que tens no colo, oferece um livro de “esponja”, com muito amor e carinho. Conta-lhe uma história e aguarda que a “sementinha” cresça. Um dia quando fores velhinho talvez possas dizer: “Netinho, lê-me uma história que os meus olhos já não aguentam!” “Isso é fácil avô! Era uma vez…”




                                                                                                                                  Professora Natália Pereira

Família de pernas para o ar

Li e reli,
Nem queria acreditar!
O bisavô a jogar à bola,
E o bisneto a descansar!

Li e reli,
Tive de voltar a ler!
A bisavó a usar fralda,
E a bisneta a usar colher!

Li e reli,
Esta história está toda mal!
O avô a ver desenhos animados,
E o neto a ver o telejornal!

Li e reli,
Tive inveja, pois então,
A avó a fazer os TPC,
E a neta a amassar o pão!

Li e reli,
Quase rebentava a rir!
O pai a brincar com o triciclo,
E o filho a conduzir!

Li e reli,
Querem vocês adivinhar!
A mãe a comer um rebuçado,
E a filha a cozinhar!

Li e reli,
Tão estranho, podes crer!
A família inteira a “raspar” ossos,
E o cão a comer carne com prazer!


Professora Natália Pereira

sexta-feira, 15 de maio de 2015

No âmbito da comemoração do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor...Professora Alexandra Linares



Quando era miúda, a minha mãe chamava-me a “papa-livros”, porque havia alturas em que um livro de 200 e tal páginas “desaparecia” numa tarde. Claro que não os papava mesmo… Não era um monstro-das-bolachas-versão-paixão-pela-celulose-nham-nham! Mas, sobretudo nas “férias grandes”, era capaz de ler uma aventura da Patrícia ou um livro da Condessa de Ségur ou, mais tarde, um dos da Daniela sabe o que quer em meia dúzia de horas. E no dia seguinte queria ir outra vez à única papelaria da vila onde morava comprar outro!
                A certa altura descobri a Biblioteca de Bucelas (onde vivia, no concelho de Loures), e foi um descanso para os meus pais – e para a economia do lar! Li tudo da coleção Anita (sim, ANITA!, qual Martine!!!!), e todos os livros de aventuras e policiais. Tornei-me fã das grandes personagens de Agatha Christie e adorava tentar descobrir o vilão da história antes do fim do livro!
                Li tudo o que era clássico de literatura infantil, e às vezes perguntava-me se certos escritores criavam aquelas histórias macabras para causar pesadelos às criancinhas! Já viram bem a história do Capuchinho Vermelho?... Credo, que violência! O Lobo Mau come a Avozinha inteira (algo que me deixava bastante confusa…) e depois o Caçador abre-lhe a barriga, tira a Avozinha de lá “vivinha da silva”, e enche a barriga do Lobo com pedras (algo que me causava arrepios… e enquanto aquilo acontecia o Lobo dormia?!!). E o Pinóquio? Na barriga da baleia, transformado em burro, com um Grilo Falante (os de lá da terra só comunicavam por monossílabos: “cri”!)… E a Cinderela? Explorada e maltratada pela madrasta e pelas filhas dela! E no fim a Fada Madrinha, com um toque da varinha de condão, veste-a de cima a baixo como uma princesa para ela ir ao baile, e calça-a com belos sapatinhos de cristal e… Ei! Espera lá! Sapatinhos de cristal?!? Primeira coisa que me vinha à mente: aquilo tem de ser gelado e desconfortável (sapato de cristal = maleabilidade zero)!! Segunda coisa que me vinha à mente: o serviço de copos de meio-cristal da minha mãe, que apesar do “meio” sempre foi “um ver se te avias” para os tentar manter inteiros, de tão frágeis que eram! Um sapatinho de cristal assim tão resistente nunca se viu… um sapatinho de cristal que se usa para dançar e tudo e não parte… Vá lá, Fada Madrinha, conte lá: são de borracha transparente daquela das sandálias que se usavam a torto e a direito pela petizada e faziam transpirar imenso, que juntamente com o pó que ia entrando na sandália durante o recreio, faziam os pés escorregar numa espécie de lama biológica, não são? Sapatinhos de cristal… nem na Marinha Grande se faz vidro tão resistente!!! E quando chega a meia-noite? PUFF!, quebra-se o encanto! A Cinderela volta a ter o velho vestido rasgado e tal… mas o sapatinho de cristal não se transforma. Então porquê??! Tantas incongruências e questões sem resposta no mundo da literatura tradicional infantil! Bem, pode-se dizer que desde cedo os livros ajudaram e muito a formar o meu espírito crítico e a desenvolver a minha capacidade de raciocínio…
                Tantos livros me passaram pela mão, desde banda desenhada (A turma da Mônica, Tio Patinhas, Mickey e companhia…), livros de aventuras, policiais, alguns romances, livros de poesia, enciclopédias, livros sobre animais e a Natureza em geral (ainda tenho muitos, entre os quais A Vida na Terra – um clássico da minha geração!!) … E muitos deles conheci-os através desse lugar mágico chamado Biblioteca. Ainda assim, confesso, levar os livros emprestados não me satisfazia a 100%. Ainda hoje sou uma pessoa que gosta do cheirinho dos livros novos e de ser eu a fazer o primeiro passeio por entre as páginas nunca antes mexidas. E gosto de os ter. Nunca deito livros fora, e sou muito apegada a eles – dificilmente ofereceria um meu livro a alguém. Lembro-me que ficava horrorizada quando via nos livros que trazia da biblioteca uma página rasgada, ou escrita, ou riscada! O cartão de leitor foi dos primeiros que tive na vida, muitos antes de ter um Bilhete de Identidade, que teve de esperar até ir para o 5º ano!
                Da minha infância e adolescência ainda tenho uma vintena de livros. Incluindo manuais escolares! A essas “preciosidades” juntaram-se há uns anos umas outras, bem mais preciosas: os livros da juventude da minha mãe! Quando os meus pais mudaram de casa, a minha mãe perguntou-me se não os queria “lá no escritório”. Claro que queria!!! São mais de cem livros de autores portugueses e estrangeiros. Os mais novos devem ter uns 30 anos ou mais! Os mais antigos já têm para cima de meio século, páginas amarelecidas, a cheirar um pouco a mofo… mas são uma delícia!
                Quais e-books e e-readers, quais carapuça! Não há sensação no mundo comparável à de folhear um livro e partir à descoberta do que todos aqueles simbolozinhos juntos em grupinhos maiores ou menores (as letras que formam as palavras, que formam o parágrafo, que formam o texto) querem dizer! Porque ler, ao fim e ao cabo, é um ato de magia! É ou não é? J  













No ano passado pintei o escritório… estes são alguns dos livros que lá estão, aqui empilhados noutro quarto…




Os “sapatinhos de cristal” tal como imaginava que eram realmente!




Ler

Ler é viajar em low-cost
E ao mesmo tempo em primeira-classe,
Voar alto, mesmo sem asas,
Sentir o íntimo a transformar-se…
É libertar a imaginação,
É envolver-se e rir e chorar,
E ver com o coração
O que quem não lê não consegue enxergar.
E é teleportar-se para outros mundos,
Conhecer seres bem intrigantes,
É lembrar-se da nossa pequenez
Ou fazer-nos sentir gigantes.
É deslindar crimes e mistérios,
É perseguir bandidos e ser herói,
É ser príncipe ou princesa ou rei,
Viver outra vida que deleita ou que dói.
Ler é nadar num mar de palavras,
E deixar-se ir num remoinho de emoções,
É enriquecer e alimentar a alma,
É aprender infinitas lições!
Ler é sonhar num leito de papel,
É dar a mão ao conhecimento,
Deixar-se embalar em prosas e poesias,
Que palavras impressas não as leva o vento!
Ler, para mim, é viver!
É viver um eterno renascer,
Uma vida em que tudo é possível,
Exceto viver a vida sem ler…


Prof.ª Alexandra Linares

quinta-feira, 14 de maio de 2015

No âmbito da comemoração do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor...Professora Sofia Francisco

Eu sou uma leitora compulsiva. Sou mesmo. Contudo, não pensem que leio só autores clássicos e autores premiados. Nada disso. Tanto gosto muito de ler António Lobo Antunes e Gabriel Garcia Marquez, como gosto de ler livros bem românticos como os da autora do Diário de Bridget Jones, Helen Fielding, e Sophie Kinsella que escreveu o bem humorado Louca por Compras…
Os primeiros livros que li foram os romances de Corin Tellado e muitas fotonovelas que costumava pedinchar às vizinhas. Felizmente, depois o meu padrinho habituou-se a oferecer-me, na Páscoa, um folar precioso: os livros dos Cinco, das Gémeas, dos Sete e comecei a ler livros bem mais adequados à idade que tinha na altura.
Um dos episódios mais engraçados que me lembro relacionados com os livros, passou-se nas últimas férias. Passei o mês de agosto em Angola e, ao fim de duas semanas, já tinha lido os seis livros que levara. Solução: ler os livros da coleção Recruta e Diário de um totó que os meus filhos tinham levado…Adormecer sem ler é que não podia ser!


                               Prof.ª Sofia Francisco

No âmbito da comemoração do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor...Professora Maria de Jesus Teixeira

O prazer de ler
Ler faz parte da minha vida desde que aprendi a juntar as letras e a formar palavras. Um hábito, uma necessidade, um divertimento? Não sei. O que posso garantir é que um livro é o amigo de todas horas e estados de espírito, é evasão… imaginação e, sobretudo, é liberdade. Nas páginas de um livro consigo acalmar-me, viajar, divertir-me, sonhar e voar nas asas da imaginação. De facto, todos os livros que li deixaram-me uma mensagem, um ensinamento, algo que me permite ser o que sou. Não consigo escolher um tipo de livro, gosto de ler! Os romances históricos, uma paixão… caminho pela época histórica retratada e, claro lá vou procurando distinguir os factos históricos da imaginação do autor, visualizo todos os cenários, sinto os cheiros e as emoções das personagens… A filha do Capitão, de José Rodrigues dos Santos foi lido em dois dias!!!  Romances, Aventura, Ficção, são mundos que explorei pela leitura de diferentes autores, nacionais e internacionais. Atualmente, o meu livro de cabeceira é um best seller internacional de Geoffrey Blainey, um historiador que me conduz a uma incrível viagem à volta do mundo ao longo do século XX. Na narrativa do autor encontro a motivação, a energia, o gosto pelo saber que procuro transmitir aos meus alunos e muita diversão. Os livros são janelas abertas para o mundo: o bem e o mal, o êxtase, o remorso e a mágoa, as pessoas, os lugares, o tempo… se um livro consegue trazer ao meu interior os mais diferentes sentimentos, então, é um prazer ler um livro!
Prof.ª Maria de Jesus


No âmbito da comemoração do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor...Professora Ana Paula Graça

A leitura e os livros na minha vida

Primeiro, vieram as letras.
Depois, as palavras.
Palavra a palavra, as frases foram surgindo.
E a leitura cedo chegou à minha vida!
Lembro-me, de menininha, ficar curiosa a olhar para aqueles símbolos negros enquanto o meu pai lia o jornal. E de, estendida em cima da sua alta mesa de trabalho onde ele, ao domingo, estendia aquelas folhas gigantes do “Diário de Notícias”, lhe perguntar “Que letra é esta?”, “O que é que está aqui escrito?” E, naturalmente, sem dar por isso, pelos meus seis anos, lá ia juntando letras uma a uma, formando palavras e lendo frases…
De maneira que, antes de entrar para a escola primária, já lia!
Está bem presente o meu primeiro dia de aulas, a 6 de outubro (sim, que naquela altura o verão era comprido e as férias também), quando ao fim da tarde, na companhia de outra colega estreante nas lides escolares, cheguei feliz junto da minha mãe que então estava no campo a vindimar, pronta para descrever aquela experiência única: tinha escrito letras, tinha lido, tinha deixado para trás as páginas que ensinavam a conhecer as letras e a juntá-las e ficado na segunda parte do livro de leitura, aquela destinada aos textos que tinham como protagonistas o Pedro e a Rita!
Os livros, esses também não tardaram em chegar!
Naquela altura, os tempos eram difíceis, as crianças não recebiam livros desde que nasciam e, para muitos, eram objetos de luxo. Eu também não os tinha aos montes, sobretudo os adequados à minha idade, mas o bichinho da leitura esteve sempre presente e sempre encontrei estratégias para poder ler. As amigas eram um belo recurso, daí que, regularmente, tivesse em casa livros emprestados.
Durante a minha infância e juventude, as experiências de leitura foram muitas e variadas, desde os infantis aos juvenis, passando pelas bandas desenhadas, os livros de cowboys (aos quadradinhos, mas, sobretudo, os narrativos, tipo romance) e, até, as famosas fotonovelas da época, para passar também pelos clássicos, enfim, era o que aparecia.
E dessa altura guardo também vários episódios engraçados associados aos livros, como, por exemplo, fazer as tarefas que os meus pais me atribuíam rapidamente (e, por vezes, de forma aldrabada) para ir ler mais depressa, ou levantar-me de madrugada, quando ainda mal despontava uma ténue luz matinal muito ao longe, e ir para a janela tentar continuar a ler o livro interrompido à noite, ou ler numa tarde um livro de 350 páginas porque tinha de o devolver no dia seguinte, ou, pior que tudo, queimar um casaco de malha colocado em cima de um candeeiro para atenuar a luz do quarto à noite e os meus pais não notarem que estava a ler até tarde…
Hoje, não precisaria de tanta imaginação. As criancinhas acumulam pilhas de livros atrativos de todos os géneros e formatos, os jovens continuam a colecioná-los, as tarefas domésticas já não têm o peso e a imposição dos velhos tempos e… a maioria dos pais deseja que os filhos leiam.
Obviamente que os livros continuaram a ser uma presença importante na minha vida e não saberia viver sem eles. Durante a minha existência muitos foram já os livros lidos. Desde sempre, até hoje, nunca lhes consegui resistir. A sensação de entrar numa livraria, olhar para eles, tocar-lhes, apreciar os títulos e as capas, folheá-los, ler pequenos trechos é única e insubstituível. Continuo a fazê-lo sempre que posso. E atualmente, em que a ação banal de ir às compras ao supermercado permite também uma passagem pelo mundo dos livros, os meus passos são sempre irresistivelmente atraídos para esse espaço mágico, mesmo que o tempo disponível esteja contado ao segundo. E, não raras vezes, também sou irresistivelmente dominada pelo desejo de levar mais um para casa!
Prof.ª Ana Paula Graça