domingo, 28 de abril de 2024

Comemoração dos 50 anos do 25 de Abril: leitura de excertos da obra Era uma vez o 25 de Abril, de José Fanha - nas turmas 7.ºC e B

       No âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de abril, a professora Helena Silva “esteve à conversa” com os alunos  das turmas do 7.º C e B, no dia 18 e 23 de abril respetivamente. O objetivo principal era transmitir aos jovens a importância histórica deste evento marcante na história de Portugal, bem como refletir sobre os valores de liberdade que o mesmo representou.

Cada sessão teve início com um diálogo aberto entre a professora e os alunos, onde foram avaliados os conhecimentos prévios sobre o 25 de abril. O diálogo incidiu sobre o conceito de liberdade e uma reflexão sobre como era a vida antes deste momento histórico.

 

Em seguida, os alunos tiveram a oportunidade de mergulhar na poesia de dois ícones literários portugueses: Manuel Alegre e José Fanha. A leitura de poemas selecionados foi acompanhada pela apresentação do livro "Era uma vez o 25 de Abril", da autoria de José Fanha. Alguns estudantes foram convidados a ler excertos do livro, destacando-se a vivência do autor no dia 25 de abril de 1974 e a emblemática história dos cravos.

Por fim, a professora Helena explicou aos alunos uma atividade promovida pela Biblioteca Municipal de Leiria - Biblioteca Afonso Lopes Vieira. Esta atividade consiste na realização de um trabalho sobre o 25 de Abril e o livro de José Fanha, até ao dia 3 de maio, que será exposto na próxima Feira do Livro de Leiria. Os alunos foram incentivados a participar ativamente nesta iniciativa, promovendo assim a sua reflexão sobre o tema e o envolvimento na celebração desta data histórica.

Prof.ª Helena Silva

7.º C





7.ºB


 






sábado, 27 de abril de 2024

Comemoração dos 50 anos do 25 de Abril: leitura de excertos da obra Era uma vez o 25 de Abril, de José Fanha - nas turmas 7.º A e D

 No início da aula, a propósito da comemoração dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, a professora começou por contextualizar o 25 de Abril, recorrendo ao diálogo inferencial, para dar a conhecer as principais datas e figuras da época.
Depois, foi feita a exploração do livro Era uma vez o 25 de Abril, de José Fanha, através do visionamento e análise das suas imagens sugestivas, bem como através da leitura de excertos da obra, como a história dos cravos.
Por fim, a professora explicou aos alunos a atividade a realizar até ao dia 3 de maio: um trabalho (cartaz, ilustração, texto,...) acerca do 25 de Abril e do livro de José Fanha, para ser exposto na Feira do Livro de Leiria.

Prof.ª Vanda Balão 

7.º A






7.º D







sexta-feira, 26 de abril de 2024

MITOS DA SEXUALIDADE/ A LITERATURA AO SERVIÇO DA CONSTRUÇÃO DE MITOS AMOROSOS

         Na passada terça-feira, dia 23 de abril, teve lugar uma sessão na BECRE, envolvendo os alunos de Português – 11.º Ano, dinamizada pelo professor Jaime Mendes.

A temática geral versou a importância da literatura para a criação de mitos amorosos.

Abrangendo o período literário que vai da literatura medieval, através da análise da narrativa « Tristão e Isolda », até ao século XIX, com o romance de Camilo « Amor de Perdição », foram apontados os pares amorosos Pedro e Inês, com base no episódio de Os Lusíadas, Romeu e Julieta de William Shakespeare, concluindo em Simão Botelho e Teresa Albuquerque de Amor de Perdição.

De alguma forma, procurou-se uma visão de conjunto, a partir do programa de  educação literária da disciplina de Português do 10.º e 11.º Ano., encontrando pontos comuns que mostram o amor como uma força, nestes exemplos, destruidora, na medida em que afronta poderes sociais/culturais invencíveis.

A visão amorosa defendida pelo docente está na linha da antropóloga Dominique Simonet e o Prólogo do livro A mais bela história do Amor ; Asa edições, de 2006, foi partilha com os alunos.

Com esta sessão o professor Jaime Mendes concluiu a temática que se propôs desenvolver junto dos alunos de português do Ensino Secundário.

Prof. Jaime Mendes






 

terça-feira, 23 de abril de 2024

Escritora Celina Lopes no JI de A-dos-Pretos

            A simpática escritora Celina Lopes terminou a sua “viagem” pelas escolas do Agrupamento AEHS!

De facto, no dia 19 de abril, esteve no JI de A-dos-Pretos onde realizou duas sessões de animação da leitura, encantando as crianças com as sua histórias repletas de ternura!

No fim de cada sessão, houve uma sessão de autógrafos.

Muito obrigada, escritora Celina,  pela sua simpatia e disponibilidade e também pela “alma” com que conta as suas histórias.

Prof.ª Helena Silva









 












25 de abril... Testemunho do prof. António Almeida e uma entrevista áudio feita ao avô, pelo aluno Gabriel Santos, do 6.ºC

 O 25 de Abril não é apenas uma data no calendário; é uma data inspiradora do poder do povo unido em busca de justiça, dignidade e liberdade. É uma celebração da coragem daqueles que ousaram sonhar com um futuro melhor e trabalharam incansavelmente para torná-lo realidade.

Vale a pena ler o testemunho do professor António Almeida e ouvir a entrevista do aluno Gabril Santos, do 6.º C.

 


No amanhecer daquela manhã de quinta-feira, dia 25 de abril de 1974, um jovem de onze anos deslocou-se, como habitualmente, para a escola.

À hora do almoço, quando saía da escola para ir almoçar a casa, estranhou a presença do pai que, de automóvel, esperava para o levar para casa. Como não era, e não voltou a ser, habitual o jovem questionou o porquê da inesperada boleia: “os militares do GACA 2 1 andam na rua… parece que houve uma revolução” respondeu-lhe o pai, com um ar algo preocupado.

Em casa, todas as atenções estavam viradas para a RTP e para o Rádio Clube Português, mas as informações eram poucas e, enquanto os pais sussurravam sobre revolução e liberdade, um jovem de onze anos via-se envolvido num misto de curiosidade e incerteza.

            Nas ruas de Torres Novas, principalmente as que ficavam perto de sua casa, o jovem sentia no ar a energia da revolução, enquanto ele, com olhos cheios de ingenuidade, tentava entender o significado de tudo.

Nos dias seguintes, a rádio transmitiu discursos apaixonados e passou músicas proibidas, enchendo os ouvidos do jovem com novos, alguns nunca antes ouvidos, sons e melodias.

A agitação das pessoas, os sorrisos e abraços compartilhados, eram uma promessa de um país diferente, um país onde a voz do povo finalmente iria ser ouvida.

Mesmo sem compreender completamente o significado de tudo aquilo, o jovem sentia a emoção palpável no ar. Era como se algo extraordinário estivesse a acontecer, algo que mudaria para sempre o rumo do seu país e da sua própria vida.

E, naqueles dias, entre a inocência da infância e a promessa de um futuro em liberdade, ele testemunhou, com olhos brilhantes, o nascimento de uma nova era em Portugal.

Prof. António Almeida

 

1 Grupo de Artilharia Contra Aeronaves 2 – Torres Novas 

 

 

 

segunda-feira, 22 de abril de 2024

A Revolução do 25 de abril “faz” cinquenta anos! Viva a LIBERDADE!

 
       O cinquentenário da Revolução do  25 de abril será celebrado, na nossa escola, com diferentes iniciativas, nomeadamente  com exposições alusivas a esta efeméride em vários espaços da escola-sede, incluindo a Biblioteca, com tertúlias, com a publicação de testemunhos escritos, em vídeo e também em áudio de quem viveu o 25 de abril em pleno e recorda como era a vida no tempo da Ditadura (disponibilizadas na plataforma Teams da escola, no blog e Facebook da Biblioteca Escolar)…

Essas iniciativas visam não só lembrar e honrar a Revolução dos Cravos, como também promover a reflexão sobre os valores democráticos e os direitos humanos, incentivando os alunos a compreenderem e a valorizarem o significado deste marco histórico, que ditou o fim de 48 anos de Ditadura.

Começamos com um texto da professora Olga Correia e com a entrevista realizada pela aluna Yara Garcias, do 6º D.

Prof.ª Helena Silva


“Sempre que se aproxima uma comemoração, as pessoas entusiasmam-se, falam do assunto, e muitas delas tentam perceber se ainda têm a mesma vontade de ver tudo com os mesmo olhos de sempre.

Amanhã mais um dia no horizonte: o cinquentenário do 25 de Abril. Foi tão lá para trás que aconteceu. Em 1974. Era tudo tão diferente, e a diferença maior? O uso da palavra mais querida de todas - LIBERDADE- não se fazia, e parecia condenada a desaparecer, aqui neste pequeno país dominado por ideais tão resistentes à mudança.

Mas depois aconteceu. Na vontade de alguns, neste caso, militares, foi possível fazer a diferenças. Se foi fácil? Não! Uma Revolução democrática, só vence se houver vontade comum. Uma Revolução democrática só vence se houver justiça para todos. Uma Revolução democrática, só vence, se a LIBERDADE que se quer para todos, não seja só usufruto de alguns, pois a LIBERDADE traz muita responsabilidade: nela se vivem DIREITOS, mas também os DEVERES. Uma Revolução democrática nunca está concluída, precisa constantemente de atenção a poderes ambíguos e mal-intencionados. Uma Revolução democrática, traz vida e vontade de fazer melhor, traz necessidade de intervenção construtiva, de participação, onde o respeito mútuo nunca se perca, se esboroe por entre arrogâncias e abordagens individuais, pois a vida democrática inclui uma SOCIEDADE com capacidade de dar e exigir, e trabalhar para o bem comum. Este dia, 25 de Abril, não pode ser só um eco de discursos e boas vontades, tem de ser um dia em que não podemos  esquecer o porquê de ter acontecido.

Todos juntos, entre aqueles que o viveram, os que ouviram falar, os que o estudaram, todos aqueles que não o querem esquecido, com todos, é possível construir, manter, exigir, que a justiça e a  liberdade, que são os reais esteios de uma verdadeira democracia, não nos escapem por entre discursos fáceis de encantar. “

Prof.ª Olga Correia

 

Entrevista sobre o 25 de Abril

Entrevistador/a: Yara Garcias 6ºD Nº21

Entrevistado/a: Sr. José Bizarro, nascido a 1954, entrevista realizada a 12 de abril de 2024.

Pergunta: Quantos anos tinha quando ocorreu o 25 de Abril?

Resposta:O meu nome é José Bizarro, natural de Marinha Grande e tenho 70 anos de idade. Quando aconteceu o 25 de abril de 1974 tinha 20 anos e estava em Coimbra a estudar num curso de engenharia na U. Coimbra.

 

Pergunta: Como soube que ocorreu o 25 de Abri

Resposta: Na noite de 24 para 25 de abril pelas 23 horas estava deitado a ouvir rádio (coisa rara) e o Rádio Clube Português (hoje Rádio Comercial) transmitiu a canção do Zeca Afonso “Grândola Vila Morena”; achei estranho, já conhecia a canção, mas o disco estava proibido pela censura. Acordei no dia 25 pelas 8 da manhã com os meus companheiros de casa (mais madrugadores do que eu) a anunciar que tinha havido uma revolução militar.

 

Pergunta:Ficou contente? E o que fez em relação ao acontecimento?     Resposta:Claro que fiquei radiante. Viemos para a rua confirmar o que tinha acontecido e se tinha tido êxito, pois já tinha havido outras iniciativas anteriores que não tinham resultado.

Pergunta: porque ficou contente?

Resposta:Para os rapazes da minha idade o principal problema era a mobilização para a guerra nas ex colónias Guiné Bissau, Angola e Moçambique. Além dos riscos de vida inerentes a uma guerra eram também cerca de 3 anos de vida perdidos numa causa injusta.

Pergunta: Durante o Estado novo como era a escola?

Resposta:Durante o periodo do fascismo, até ao 9º Ano as escolas (na altura havia a Escola Comercial e Industrial numa vertente mais de escola profissional e o Liceu para quem pensava seguir um curso universitário. Em ambos os casos, até ao 9º ano havia uma divisão da zona masculina e da zona feminina incluindo corredores pátios e recreios. Só no 10º e 11º as turmas eram mistas. As raparigas vestiam bata (obrigatório).

Pergunta: Como se deviam comportar as pessoas em casa ou em encontros de amigos ou familía?

Resposta:No meu caso não notei limitações em casa. Toda a gente sabia que não podia haver grupos na rua de mais de 3 ou 4 pessoas e claro falar de política em público. Vivíamos uma época em que por exemplo quem usava isqueiro para acender cigarros era multado se não tivesse um documento chamado “licença de isqueiro”.

 

Pergunta: O que pensa de Salazar?

Resposta: O Salazar era a imagem de um país parado no tempo muito fechado ao exterior. Com a sua progressiva incapacidade sucedeu-lhe Marcelo Caetano que queria passar a mensagem de um país mais aberto. Como a PIDE tinha uma imagem tenebrosa, embora utilizando a mesma organização passou a designar-se DGS (Direção Geral de Segurança).  

Pergunta: Sabe quem era a PIDE?

Resposta: A PIDE mais tarde DGS era uma organização encarregada de controlar tudo o que pudesse pôr em causa a segurança do Governo ditatorial da época; quer fosse atividades da chamamada “oposição” ou analisar e censurar todos os textos publicados incluindo os jornais diários. Em Coimbra morava na rua Antero de Quental, curiosamente a mesma rua da sede da PIDE-DGS. 

Pergunta: Ja foi interogado ou preso pela PIDE?

Resposta: Eles nunca solicitaram os nossos “serviços” e ainda bem. Nós éramos discretos e eles também.

Pergunta: Conhece alguém que foi preso ou interogado pela PIDE?

Resposta: Quando tinha 5 anos de idade o meu pai foi preso pela PIDE por pertencer à direção de uma coletividade chamada Sport Operário Marinhense que ainda hoje se mantem em  atividade. Esteve preso 4 meses sem culpa formada e recordo-me de ir com a minha mãe visita-lo duas vezes à prisão do Aljube em Lisboa.

Pergunta: Acha que o 25 de Abril foi impprtante para Portugal? Por quê?

Resposta: A revolução do 25 de Abril veio recuperar a identidade de uma população deste país nos seus usos e costumes, embora com alguns excessos naturais de quem esteve oprimido e pior ainda reprimido durante tantos anos.

Pergunta: Onde estava no dia da revolução?

Resposta: No dia 25 de Abril de 1974 estava como já disse em Coimbra.

Pergunta: Que impacto teve o 25 de Abril na sua vida?

Resposta: O maior impacto teve a ver com o maior acesso à cultura, a opiniões diversas; surgiram na altura dezenas de partidos polítcos e a chamada “música de intervenção” teve o seu melhor momento de criatividade.

Pergunta: Como era o trabalho, a alimentação e o vestuŕaio na altura do Estado novo?

Resposta: As relações laborais eram diferentes na indústria e na agricultura. Embora a exploração dos trabalhadores fosse comum, na indústria e serviços administrativos as pessoas tinham o emprego duradouro, na agricultura o trabalho era sazonal sendo os trabalha dores contratados quase como se fosse um leilão de escravos. A alimentação era baseada nas hortas e capoeiras, ou seja legumes,coelhos e galinhas de produção própria. Embora não fosse muito frequente, é famosa a frase “uma sardinha dava para alimentar 3 pessoas”. Quanto ao vestuário só havia roupa importada para quem tinha capacidade económica para tal. Curiosamente e tavez por isso havia muitos alfaiates e costureiras para fazer roupa por medida. Havia também o costume de ter uma roupa melhor para vestir ao domingo.

Pergunta: Alguns exemplos de coisas que pode fazer e dizer atualmente que não podia fazer na altura do Estado novo?

Resposta: A revolução vai fazer 50 anos, pelo que já é difícil responder a essa questão. O relatado anteriormente dá uma pequena ideia sobre o assunto.

 

Pergunta: Ha alguma história que queira relatar?

Resposta: No ano anterior ao 25 abril 1974 ainda vivi algumas cargas da polícia de choque, o que nos obrigava a estar em boa forma física para “salvar o pêlo” de levar umas cacetadas. Aprendi ràpidamente que as Escadas Monumentais de acesso à Universidade têm 5 lanços de 25 degraus e que para conseguir fugir à polícia com êxito os 125 degraus tinham que ser subidos com toda a energia de 3 em 3.

Já não é do meu tempo, mas os confrontos entre estudantes e polícias era uma coisa frequente. Os polícias além do capacete, escudo e viseira levavam também cães para intimidar os estudantes. Num desses confrontos os estudantes levavam gatos escondidos nas suas capas. Quando a polícia soltou os cães os estudantes largavam os gatos e escusado será dizer foi a confusão geral! Acho que polícia nunca mais utilizou cães para reprimir os estudantes.

Pergunta: Gostava que salazar voltasse? Porque?

Resposta: O Salazar e tudo o que ele representa deve ser recordado na sua vertente histórica como exemplo do que não deve acontecer nunca mais.

 

Entrevista realizada por Yara Garcias – 6º D