sábado, 25 de junho de 2022

AEHS na Festa da Vila de Maceira 2022

 O Agrupamento de Escolas Henrique Sommer também esteve representado na Festa da Vila de Maceira 2022, através da sua Associação de Pais e do “Cantinho” da Biblioteca.

A equipa da Biblioteca preparou um baú com alguns livros e material lúdico-didático (desenhos para pintar; sopas de letras; jogo das diferenças) para entreter as crianças enquanto os pais se deliciavam com um café da avó, uma filhós ou outra iguaria preparada por elementos da Associação de Pais.

No dia 17 de junho, a educadora Anabela e as suas estagiárias italianas (Matilda, Marta, teresa, Gaia, Ariana e Matilde) dinamizaram o “cantinho”da Biblioteca. No dia 18, entre as 17 e as 20h, decorreu o atelier de fantoches, sob a orientação da professora Celina que contou com a colaboração da D. Goreti e da professora Helena. No dia 19, foi a vez do Centro Qualifica, representado pelas professoras Diana e Carla, que dinamizaram o “cantinho”, aproveitando igualmente para divulgar a oferta formativa relativa à formação de adultos. As professoras Rosa, Doroteia e Sónia também “deram uma mãozinha”!

A participação neste evento teve como principal objetivo promover a ligação entre a escola e a comunidade, na senda do lema do nosso projeto Educativo - “Saber Ser e Ser com Saber… Caminhando em Comunidade”.

Prof.ª Helena Silva

Dia 17 de junho





Dia 18 de junho
 























Dia 19 de junho







sábado, 4 de junho de 2022

1.º Prémio do Ensino Secundário no Concurso de Escrita Criativa em homenagem a José Saramago... O conto "Ser feliz no mundo real"

 

Ontem, pelas 17h30, no Mercado de Sant’Ana, teve lugar a sessão de entrega de prémios aos vencedores do Concurso de Escrita Criativa em homenagem ao nosso Prémio Nobel da Literatura - José Saramago.

O 1º prémio do ensino secundário foi atribuído à aluna Mariana Faria Pereira ( do 12.º A) do AE Henrique Sommer da Maceira, autora do conto “Ser Feliz no mundo Real”.

No evento, estiveram para além de outras personalidades do Diretor da Escola, Professor Jorge Bajouco, a professora bibliotecária e os pais da aluna.

Foi um cerimónia simples, mas repleta de significado.

Muitos parabéns a nossa aluna Mariana! Foi um prémio bem merecido. 



Poderão ler, em seguida, o conto da aluna…

Ser Feliz no Mundo Real 

“Desprendeu-se a vontade de Baltazar Sete-Sóis, mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia e a Blimunda.” 

Suspiro ao ler esta última frase do “Memorial do Convento” ... Olho pela janela e apercebo-me que o sol já se está a pôr. Passei a tarde toda na biblioteca a ler. Pouso o livro à minha frente e falo num sussurro escondido: 

-Ei Blimunda, se as vontades conseguiram fazer voar uma passarola e Baltazar conseguiu contornar o seu destino, ficando contigo, não achas que eu conseguiria contrariar as leis do tempo se a minha vontade fosse grande o suficiente? Às vezes desejava conseguir parar tudo à minha volta... O tempo parece estar constantemente a passar, sem nos deixar fazer tudo aquilo que queremos. 

- Seriam necessárias mesmo muitas vontades... Mais de duas mil com certeza... Não importa o que faças, o tempo não para. Não importa o quanto te debatas, o tempo não volta atrás. É essa a inexorabilidade do tempo. - responde-me Blimunda, pairando em cima de mim. 

-Vais morrer de qualquer maneira, portanto, para quê sequer tentares? - questiona Ricardo Reis subitamente sentado ao meu lado direito. 

-Pois sim, doutor Reis, como se fosse assim tão fácil simplesmente deixarmo-nos levar-murmuro eu de uma forma irónica, enquanto o olho de esguelha- Somos humanos sabe? É impossivel não sofrer nem sentir tristeza... Não houve por aí umas “lágrimas absurdas”? 

Após eu dizer isto, ele desvia o olhar, carrancudo. “Ah, ele bem sabe que eu tenho razão”, penso eu enquanto sorrio tolamente. 

-Eu acho que, independentemente das circunstâncias, deverias aproveitar ao máximo o teu tempo enquanto podes, na certeza, um dia, de que fizeste tudo aquilo que desejavas. Imagina que ficas repentinamente cega num futuro próximo…- diz a mulher do médico, surgindo do lado esquerdo. 

-Hmm... Não me parece que isso venha acontecer, mas acho que tem razão...deveria arranjar tempo para ser feliz no mundo real, não acham? 

Todos concordaram, e foi dessa forma que a nossa conversa naquela tarde terminou. 

Muita gente acha que eu estou “sempre com a cabeça na lua”. Já perdi a conta do número de vezes que me disseram isso e acredito que ouvirei essa mesma frase muitas mais vezes até ao fim da minha vida. No entanto, não poderiam estar mais enganadas. É verdade que me encontro mais vezes distraída do mundo real, no entanto, não é na lua que se encontra a minha cabeça: ela encontra-se no meu próprio mundo, aquele que eu criei através da simples e fantástica imaginação. 

Não sofro de “Maladaptative Daydreaming”: não me distraio da realidade por pura necessidade e não considero o meu comportamento de todo compulsivo. Apenas acho o mundo real bastante aborrecido. Para quê dar-lhe atenção quando posso divertir-me muito mais facilmente na minha imaginação? Posso ir buscar a Blimunda, a mulher do médico, o Ricardo Reis, posso retirar todas as personagens do “Memorial do Convento”, do “O Ano a da Morte de Ricardo Reis”, do “Ensaio sobre a cegueira” e recriá-las no meu imaginário, falar com elas, interagir, imaginar-lhes uma vida para além daquela das páginas daqueles livros. Libertá-las e libertar-me a mim mesma nessa fuga da realidade.  

Enquanto reflito sobre isto, surge-me de novo o trio. Sim, Blimunda, Ricardo Reis e a mulher do médico.  

-Mais tempo para seres feliz no mundo real, lembras-te? – dizem em uníssono, como se tivessem lido o meu pensamento. 

Sinto uma tristeza invadir-me. Será que não me querem como companhia? 

Foi nesse momento que uma luz na minha mente se acendeu. Saí a correr da biblioteca, ofegante e confusa, só parando no átrio para recuperar. 

 Talvez eles tivessem razão, talvez devesse dar uma chance à realidade. Talvez não lhe esteja a dar hipóteses suficientes para provar o seu valor. Talvez pudesse procurar amigos na realidade, como aquela rapariga que acabou de passar por mim, e talvez possamos até ser amigas no futuro. Talvez nem tudo seja tão mau e ser feliz não signifique que tudo tenha que ser obrigatoriamente bom, mas, sim, darmo-nos por satisfeitos com aquilo que temos. Talvez deva tentar procurar a minha felicidade no aqui e agora. Acho que vou tentar. 

Num tom envergonhado, de quem vive quase desadaptada, esboço um sorriso à rapariga que passa e meto conversa. Sem grandes formalidades apresento-me e venho a descobrir que temos bastantes pontos em comum. Começo a acreditar que a realidade me poderá ser suficiente. Ela propõe-me uma ida para relvado, o mesmo onde tantas vezes eu estivera com os meus outros amigos, que não ouso confessar-lhe que tenho. Atravessamos o átrio e passamos pela entrada da biblioteca que fica a meio caminho da porta de saída. Olho de esguelha e tomo uma decisão.

Formulo um “obrigado” silencioso e sigo caminho com a minha nova amiga...tenho a sensação de que nunca mais os voltarei a ver. 

 


quarta-feira, 1 de junho de 2022

Filme "José e Pilar" e encontro com o realizador e produtor Miguel Gonçalves Mendes

     No dia 27 de maio, a turma do 12.º A deslocou-se a Leiria, mais concretamente ao Teatro Miguel Franco, para participar num encontro em que Miguel Gonçalves Mendes, realizador e produtor de “José e Pilar”, apresentou o filme e refletiu com os alunos do ensino secundário do concelho sobre a vida e obra de José Saramago. Esta atividade foi promovida pela Município de Leiria, no âmbito da comemoração do centenário do nascimento de José Saramago.

Muito obrigada ao Município por esta oportunidade que foi muito interessante e enriquecedora.

A professora de Português solicitou aos alunos que escrevessem um pequeno texto sobre a atividade. Eis a várias opiniões…

 

“O filme foi interessante e deu para nós entendermos um pouco da vida de José Saramago enquanto pessoa e escritor e tivemos uma boa receção da parte do realizador do filme, que nos colocou mais à vontade.” – João Tavares

“A sessão a que tive o prazer de assistir na passada sexta-feira, dia 27 de maio, no Teatro Miguel Franco permitiu-me ter uma diferente perspetiva de José Saramago. Efetivamente, se não fosse este documentário, que, para ser honesta, nem sequer sabia que existia, nunca teria conhecido este lado do escritor. De facto, agora sei que, para além de ser um grande autor e vencedor do Prémio Nobel da Literatura, Saramago é uma pessoa tal e qual como todos nós, facto este que considero que o realizador Miguel Gonçalves Mendes tinha como principal intenção nos transmitir.” – Susana Salvaterra

“No teatro Miguel Franco, vimos o filme “José e Pilar”. Apesar de inicialmente ter achado que este documentário seria um bocado secante, fiquei extremamente surpreendida pela positiva, uma vez que para além do filme nos mostrar um outro lado mais humano de José Saramago que não aprendemos na escola, também tivemos a oportunidade de conversar com o realizador desse filme, que esclareceu as nossas dúvidas e que partilhou a sua experiência relativamente à gravação do filme. Recomendo vivamente o visionamento do filme para aqueles que acham que afirma que “não gostam de Saramago”. Acho que terão uma visão diferente deste escritor no final do filme.”  – Mariana Pereira

“Na atividade de sexta-feira, realizada no Teatro Miguel Franco, foi nos mostrada a vida de José Saramago através de um Filme. Achei uma atividade interessante pois fiquei a conhecer mais da vida de Saramago por detrás da sua faceta de escritor. O filme estava bem estruturado e com ideias claras sobre o escritor e o realizador do mesmo esclareceu-nos todos os pormenores. Gostava que este tipo de atividades se repetissem pois é uma forma de aprendizagem diferente e inovadora.” – João Bernardo

“Gostei bastante do documentário e da maneira de ser do realizador que é muito terra a terra.  

Apesar do filme ser mais acerca de Saramago do que de Pilar posso dizer que gostei muito da personalidade dela, principalmente da sua determinação, que quando tem algo para dizer diz e dá a conhecer a sua opinião e o por quê desta.” – Catarina Marques

“No dia 27 de maio estive presente na visualização de um filme sobre a vida de José Saramago, no teatro Miguel Franco. 

A meu ver foi uma experiência interessante e informativa, já que nos deu a entender melhor como foi a vida de um grande escritor português. Com o filme consegui entender melhor a maneira como este pensava, sentia e vivia. 

Considero que a experiência foi bastante positiva e que deveria ser mais diversificada, ou seja, podermos assistir a outros filmes de outros escritores portugueses.”  – André Salvaterra

"Na minha opinião, considero a oportunidade de visionar o documentário feito sobre José Saramago foi realmente valiosa , visto que esta foi deveras interessante e acho importante também conhecermos um pouco melhor um dos maiores ícones portugueses na sua intimidade."- Miguel Marques

“Na sexta-feira, dia 27 de maio de 2022, a nossa turma (12ºA) foi, em conjunto com outras turmas de outras escolas, visionar o filme “José e Pilar”, uma produção de Miguel Mendes, ao teatro Miguel Franco em Leiria.  

O filme era um documentário sobre a vida de José Saramago e Pilar del Rio, escritor de prémio Nobel e sua mulher. O filme foi gravado durante quatro anos e publicado em 2010 mesmo antes da morte do protagonista. 

Eu achei o documentário grande, na minha sincera opinião, mas achei fantástico. O modo como alguém consegue chegar tão perto da vida de um individuo de renome mundial. Na verdade, a maior parte de nós, alunos de secundário, acha escritores como Saramago, um bocado seca e nem acabam por se lembrar que ele foi uma pessoa real com sentimentos e vida própria, encaramo-lo apenas como um personagem. 

Achei deveras interessante e ocupado o dia-a-dia do escritor e também achei muita piada a algumas peripécias ocorrentes em cena.  

Concluindo, acho que esta produção cinematográfica está algo de genial e acho que a mesma, á semelhança do seu protagonista, deveria de ser de renome mundial. “ – Duarte Bento

“Na última sexta-feira tivemos a oportunidade de visitar o teatro Miguel Franco e assistir a um filme sobre José Saramago.  

Na minha opinião achei o filme bastante interessante, pois mostrou-nos como era parte da vida deste escritor. Gostei bastante de poder assistir às viagens que ele fazia ao longo do mundo para os lançamentos e vendas dos seus livros, e também considerei importante a forma como as pessoas o viam como um ídolo e ficavam felizes quando tinham oportunidade de o conhecer. “ – Francisco Ascenso

                “Nesta sexta-feira tivemos a oportunidade de ver o documentário "José e Pilar" de Miguel Gonçalves Mendes, no teatro Miguel Franco, que retrata diversos aspetos da vida pessoal de José Saramago, permitindo-nos assim conhecer as diversas visões deste escritor em relação a diversos aspetos, tais como assuntos de cariz político ou social.

                Esta sessão levou-nos a conhecer em primeira mão certas partes da vida de Saramago que, de outra forma, não teríamos oportunidade de conhecer, dado que, nas obras deste, este pode, ou não, deixar transparecer certos aspetos da sua visão sobre o mundo, mas a maior parte das vezes, essas mesmas obras não se focam no próprio Saramago, o que nos impede de assimilar uma ideia concreta das suas ideologias.

                Na minha opinião, esta visão particular e específica sobre os modos de pensar e de viver de Saramago foram o ponto mais relevante deste documentário e, em particular, saber que este escritor assumia uma ideologia política comunista e saber que este acreditava vivamente que Deus não existe foram os pontos mais interessantes e que mais me surpreenderam.

                Em suma, eu considero que esta atividade foi muito didática e significativa e proporcionou-nos a oportunidade de conhecer em detalhe a vida de um dos escritores mais marcantes da língua portuguesa. “ – Ricardo Sousa