quinta-feira, 29 de junho de 2023

Projeto "Ler, descobrir e aprender no 1.º CEB"...


    O Projeto Ler, descobrir e aprender no 1.º CEB, destinado, este ano, aos alunos do 1.º ano do Agrupamento, visou essencialmente promover a leitura e o contacto privilegiado com os livros, aliando os textos às ilustrações.

Assim, este período, de acordo com a calendarização delineada, a professora bibliotecária procurou, em cada uma das turmas do 1.º ano,  fomentar o gosto pelos livros e pela leitura através da apresentação de “caixas das histórias” e de livros diferentes, livros “fora da caixa”, tendo lido, com a ajuda dos alunos, três dos livros apresentados, a saber: O gato e o rato querem sair daqui de Güther Jakobs, Não há lobo Mau nesta história de Lou Carter e Deborah Allwrith e Espreita pela Janela de Katerina Gorelik.

Foram sessões divertidas que contaram com a participação ativa e o entusiasmo dos alunos! Vários disseram-me “Gosto muito das tuas histórias!”

Prof.ª Helena Silva

EB1 do Centro Escolar - 1.º A - 9 de junho








EB1 de Cavalinhos - 13 de junho









EB1 do Centro Escolar - 1.ºB - 13 de junho






EB1 de A-dos-Pretos - 21 de junho




















EB1 de Porto do Carro - 21 de junho





EB1 de Costas - 21 de junho






"Sentir Portugal" ... quatro testemunhos de alunos oriundos de outros países! - 1.º Festival Intercultural AEHS

 

SENTIR PORTUGAL


 Por Jéssica Romanyshyn, 10.º A

 Nasci em Portugal, mas, sempre me senti mais culturalmente agarrada à Ucrânia, em grande parte por causa da maioria da minha família ser de lá, porém essa é só uma das muitas razões.

Claro que uma parte de mim foi fortemente influenciada pela cultura portuguesa, há algumas coisas que eu não gosto, contudo também há coisas que adoro, como a comida, especialmente a sapateira (ou caranguejola) da Nazaré que ficará inesperadamente para sempre no meu coração. Outro aspeto que mais me atrai em Portugal é, sem dúvida, a sua costa incrível e as suas praias de tirar o fôlego.

 Apesar de nascer cá, neste alegre país, onde eu me sinto verdadeiramente em casa é na Ucrânia. Desde os meus três meses que todos os verões, ou quase todos os verões, eu visitava a Ucrânia, um país com um encantador céu azul e com a terra coberta de trigo dourado, que me fez genuinamente conectada, com memórias que nunca esquecerei. Aprendi rapidamente a falar português e ucraniano, coisa que na cabeça de uma criança se combinou numa salada azul-amarela e vermelha-verde, resultando numa mistura de línguas que os meus pais tinham dificuldade em controlar.

Como na Ucrânia havia vários problemas económicos, no final do ano 1999, os meus pais vieram para Portugal, ou seja, aproximadamente há 23 anos. Eles tiveram que ultrapassar vários obstáculos para se poderem integrar neste país. O maior obstáculo foi a grande barreira da enorme diferença entre línguas. Foi um desafio chegar a Portugal sem conhecer bem a língua que é completamente diferente do ucraniano e que tem um alfabeto que não tem nada a ver com o ucraniano e, para além disso, tem sete letras a menos. O facto de não saberem falar inglês prejudicou imenso o avanço na sua integração. Não perceber o que as pessoas que te rodeiam estão a falar cria um vácuo/stress cultural, visto que é a partir da língua que aprendemos novos pontos de vista que nos ajudam a entender a cultura de cada país. Só depois de mais ou menos um ano é que começaram a entender conversas simples e a falar frases básicas corretamente, o que os deixou com um ano inteiro mergulhados num sentimento de exclusão com uma forte fome cultural antes de começar a entender a língua portuguesa, apesar do caloroso acolhimento proporcionado pelos portugueses. A tradução literal das conversas, às vezes, levava a mal-entendidos que agora são lembrados com um riso na cara.

Os portugueses são, em geral, pessoas muito simpáticas que nunca tiveram qualquer preconceito a respeito da nacionalidade e sempre apoiaram com tudo o que podiam, desde comida até mesmo móveis para pessoas que deles necessitavam.

O que chamou logo a atenção do meus pais, quando chegaram a Portugal, foi a imensa quantidade de laranjeiras e videiras com cachos enormes, cheios de uvas suculentas, consequentes do clima temperado, que os afetou bastante com temperaturas altíssimas, nunca sentidas antes por uma pessoa nórdica, que estava habituada a temperaturas que variavam, em média, entre os -7° e 20° graus Celcius

A arquitetura também fascinou imenso os meus pais, principalmente o Mosteiro da Batalha, rico em história, o que os ajudou na sua integração e no melhor entendimento da cultura.

Estar a 3500 km de casa, sem nunca ter viajado para fora do seu país, não soa como uma boa ideia, mas os meus pais estavam determinados. Como eles não vieram como turistas, mas como imigrantes, tinham outras preocupações para além do clima, das frutas e da arquitetura portuguesa, o que mais lhes importava era encontrar um trabalho e amigos, o que não foi muito fácil no início, mas com o tempo encontraram cada vez mais amigos tanto portugueses como ucranianos e de outras nacionalidades, uma vez que Portugal é um país multicultural. O trabalho também não foi canja de encontrar, mas com esforço e determinação tudo se resolveu.

Resumindo e concluindo, independentemente de onde, quando e como é que chegas a Portugal, esta “nação valente e imortal” sempre te acolherá com os braços abertos e um sorriso na cara. E apesar de não me sentir em casa, estou muito grata por ter nascido neste maravilhoso e radiante país.

 

Por Ana Beatriz Barros, 10.º A

Em 2016, eu e os meus pais viajámos até Inglaterra para visitar uns amigos nossos que se tinham mudado para lá, mas alguns anos depois contaram-me que essa viagem não tinha sido apenas para turismo, tinha sido também para observar o país, a sua qualidade e custo de vida, bem como a cultura, uma vez que já tinham planos para sair do Brasil, bem antes de eu vir a conhecer Portugal.

Um ano depois, em 2017, eu fiz a minha primeira visita a Portugal (nessa época eu já sabia que estávamos a procura de um novo local para morar fora do Brasil). Ficámos alojados numa quinta em Sintra, sendo que eu achei a palavra “quinta” estranha, para mim quinta era quinta-feira e não uma chácara (equivalente a quinta em português do Brasil). Também achei a escola que nós visitámos diferente, uma vez que nenhum dos alunos estava de uniforme, e, na minha mente, todas as escolas tinham o seu próprio uniforme, até as públicas.

Por fim, em julho de 2018, saímos do Brasil de malas feitas para Portugal, e, em setembro, comecei o sexto ano pela segunda vez, por não ter completado o ano letivo no Brasil (que começa em janeiro e termina em dezembro). O sotaque português não foi muito limitante para mim, contudo no começo eu precisava de pedir às pessoas para falarem mais devagar, mas com o tempo meus ouvidos acostumaram-se ao sotaque e às expressões informais. A minha integração foi instantânea, sendo as meninas da turma especialmente acolhedoras, e fazer amizades não foi difícil para mim, embora tivesse este ou aquele que chegava para mim e simplesmente dizia “brasileira” e ia-se embora.

Além disso, o que contribuiu para a minha integração foi a chegada de outra menina brasileira à turma no meio do sexto ano, o que me fez sentir um pouco mais em casa. Pessoalmente, não sinto saudades da cultura brasileira (apenas da culinária), devido a nunca ser muito fã de churrascos e festas com muitas pessoas, e a ocasional caixa de som com o volume no máximo.

O que me fez gostar de morar aqui, para além do acolhimento das pessoas, foi de certeza o clima de cidade calma, em que as grandes avenidas estão reservadas a Lisboa e Porto. Em Leiria, o trânsito não é problemático, não é muito barulhento nem há engarrafamentos constantes (digo eu, não dirijo, logo não posso falar muito sobre este assunto), os peões têm prioridade e não é preciso ficar esperando uma eternidade para atravessar uma passadeira.

Em conclusão, tanto a minha experiência como imigrante, bem como a minha integração em Portugal foram estupendas e eu pretendo continuar a viver cá e conquistar uma dupla nacionalidade: portuguesa e brasileira.                                                                                         

 Por  Roshan, 10.º B


       Viver num país diferente do meu é emocionante e desafiador e traz muitas vezes uma “mistura” de emoções.

A adaptação a uma nova cultura e ambiente é uma experiência estimulante que me trouxe uma sensação de aventura e curiosidade. De facto, explorar uma cultura, um idioma e um modo de vida tão diferentes dos meus é fascinante, pois todos os dias apresentam uma oportunidade de aprender algo novo.

Sinto-me muito feliz por estar aqui em Portugal e, hoje, vou abrir o meu coração e expressar o que senti e estou a sentir estando neste país.

No primeiro mês, há 10 meses, era natural para mim sentir saudades de casa e saudades do meu país natal, o Nepal. A saudade da família, dos amigos, da culinária era óbvia e totalmente normal.

Durante o início do período escolar, costumava sentir-me um pouco solitário, pois não conseguia conversar com os meus colegas de turma, nem com os outros alunos da escola. Havia a barreira do idioma entre nós, o que tornava a comunicação mais complicada.

No entanto, com o passar do tempo, descobri que as pessoas que me rodeavam, incluindo os meus colegas de turma, professores e moradores locais são bastante prestáveis e acolhedores. Assim, aos poucos, fui-me integrando na turma, onde comecei progressivamente a interagir com os colegas. Essas interações não só me transmitiram coragem e confiança, como também me motivaram a continuar. A aula de apoio a Português, fornecida pela minha escola, melhorou significativamente a minha aprendizagem da língua. Efetivamente, com o passar do tempo, todos os meus dias, desde o início até agora, foram preenchidos com experiências interessantes e emocionantes.

Gostaria de expressar a minha sincera gratidão aos meus pais por me trazerem para este maravilhoso país, Portugal. Também estou imensamente grato a todas as pessoas que conheci aqui. Quero agradecer aos meus colegas e professores que me fizeram sentir em casa e me apoiaram durante todo este percurso. As palavras não conseguem expressar totalmente a profundidade da minha gratidão pela ajuda e gentileza que recebi de cada pessoa aqui. Quero, mais uma vez, expressar a minha sincera gratidão a todos eles.

Por fim, quero agradecer a todos pelos momentos que partilhámos, memórias queridas que guardarei sempre com carinho. Obrigado a todas as mãos amigas que me trouxeram até aqui hoje. Obrigada à professora Helena por me convidar a recordar todo o meu percurso em Portugal, a colocar no papel as minhas memórias, enquanto escrevo este texto. Obrigado!

Por Eduarda Lacerda, 10°B

A minha experiência com a mudança para Portugal está sendo muito boa até agora.

No começo, foi difícil me acostumar com algumas diferenças no idioma, cultura, clima e tradições, mas hoje em dia já me sinto muito mais confortável com todos esses aspetos e diferenças.

Sinto saudade do Brasil e de todos os que ficaram lá, mas também me sinto bem acolhida aqui. Sempre quis vir para cá para estudar e construir o meu futuro, e sei que Portugal é um país que me proporciona muitas oportunidades.

Já vivi muitas experiências novas e diferentes e adorei-as todas. Não me arrependo de ter vindo, pois a escola é ótima, o lugar onde moro também e amo a arquitetura e as paisagens de cá.

Pretendo ficar aqui por muito e muito tempo! 

Por Lucas Moreira, 10ºB


Meu nome é Lucas e vou falar sobre a minha experiência em relação à minha vinda e alojamento em Portugal e como me senti em relação a isso.

Para mim, a mudança para Portugal foi bastante fácil e não enfrentei grandes problemas, o que se deveu ao facto de, no Brasil, eu mudar de distrito com frequência e já ter uma “base” de como lidar com a mudança.

No entanto, viver em Portugal foi um pouco diferente daquilo a que eu estava acostumado, pois quando cheguei não entendia muito bem o que as pessoas diziam. Elas falavam rapidamente, pelo menos segundo a minha perceção, e algumas vezes diziam-me que eu era quem falava rápido. Apesar disso, a minha adaptação foi normal, assim como foi acontecendo no Brasil.

Senti que muitas pessoas não me queriam cá, contudo outras acolheram-me bem. Sempre gostei desta situação, pois isso inspira-me a melhorar de forma a que os meus méritos “falem” por mim.

De uma maneira geral, estou grato pela oportunidade de viver em Portugal e pela experiência que esse acontecimento trouxe para a minha vida. Sinto-me motivado para evoluir sempre, procurando adaptar-me e aprender com as diferenças culturais e linguísticas que encontro ao longo do caminho.