domingo, 17 de maio de 2020

Carta aberta aos alunos dos 11.º e 12.º anos do Agrupamento de Escolas Henrique Sommer




                                                                                                  Maceira, 17 de maio de 2020
Queridos alunos,
Dia 18 de maio marca o vosso regresso à escola e às aulas presenciais! Temos a certeza que depois de tanto tempo em casa, até vão olhar para a escola com outros olhos. Verdade?
Depois de meses de confinamento e de isolamento social, vai ser, certamente, fantástico reencontrarem, fisicamente, os vossos colegas/amigos e professores.  No entanto, o vírus ainda não desapareceu, por isso, tenham cuidado, procurem cumprir as recomendações de proteção individual, por vós e por todos nós.
As salas já se encontram devidamente preparadas para vos receber. Elas querem encher-se de vida com as vossas vozes e sorrisos, e até mesmo com as conversas inoportunas durante as aulas. Ah, tantas saudades que elas têm de vos ouvir conversar para o lado! E até aquelas paredes, mesas e cadeiras anseiam pelo vosso regresso, e por um desenho aqui e ali, feito numa aula mais aborrecida.
A Biblioteca também se sente profundamente só… os livros deambulam pelas estantes, ansiosos por terem quem lhes pegue, os seus autores desesperados por fazerem ouvir a sua voz, por tocarem na alma dos leitores, por fazê-los sonhar e viajar através do tempo e do espaço! Os livros estão tão solitários que, se vocês não regressarem, fazem as malas e partem para outro sítio.
No entanto, a Biblioteca é consciente, ela sabe que para estar mais próxima e para responder às necessidades dos utilizadores, tem de ter estratégias de transição, a nível dos serviços que presta. Eis uma biblioteca com dimensão digital, com plataformas como o Teams, o Blogue, o Facebook, o Moodle e até o Instagram, que oferecem um conjunto de recursos, atividades, informações, guiões e tutoriais para poderem fazer os trabalhos escolares e aprenderem em ambiente online, valorizando a vossa participação, no contexto do ensino à distância. Até o Plano Anual de Atividades foi reformulado, com adaptação das atividades programadas, prevendo-se iniciativas de caráter lúdico-educativas, como concursos, jogos, desafios, para combater o vosso sentimento de isolamento e manter o sentido de pertença à escola. A Biblioteca é uma grande amiga!
A Biblioteca prevê a sua abertura pelo vez uma vez por semana para que os alunos possam requisitar livros, sobretudo de apoio ao estudo, e recorda que tem à disposição livros atualizados de preparação para o exame das diferentes disciplinas.
A Biblioteca associa-se a toda dinâmica da Organização Escolar e deseja-vos, na voz da sua coordenadora, um ótimo regresso e muito sucesso na vossa vida pessoal e académica.
Sejam felizes e espalhem sorrisos.
Prof.ª Helena Silva

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Articulação com a Biblioteca em tempo de pandemia...


Da pandemia à poesia… um verso em cada dia…

Este poema surgiu de uma troca de tarefas, mas resultou. As alunas estão de parabéns pela forma como, rapidamente, realizaram uma tarefa que, na realidade, não foi pensada inicialmente para a sua turma. - Prof.ª Ana Paula Graça



Passam dias, passam semanas,
À espera do grande dia,
Sempre sentada sem fazer nada,
Em que acabe esta pandemia.

Se eu soubesse que isto existiria,
Melhor o tempo aproveitaria,
Antes de ficar em casa
Sem ver a luz do dia

Do quarto para a sala
E da sala para a cozinha
São as únicas viagens que faço
Já estou a ficar doidinha.

Os armários estão despidos
Devido à comida estar varrida.
Tudo está vazio,
A nossa humildade foi ferida.

Esta espera já me arrasa,
Pois a minha vida atrasa.
Já não aguento mais.
Só quero sair de casa!

Selma Venda, Filipa Domingues, Daniela Lameiro, Rafaela Bento – 11ºB

"A minha vida antes e depois do aparecimento do surto COVID 19" (conclusão)


Os últimos, mas não menos importantes, quatro textos sobre "A minha vida antes e depois do aparecimento do surto COVID 19"
Boas leituras!





            Têm sido dias muito difíceis. Os ponteiros do relógio parecem permanecer sempre no mesmo sítio e as horas não passam para que eu possa estar com quem mais gosto.
            Eu, realmente, era tão, mas tão feliz e nem me dava conta. Sinto tanta falta de um abraço, de um beijo e tantas saudades de passar horas e horas a rir-me com os meus amigos.
            A minha vida era bela, mesmo que, no momento, eu não achasse, mas agora olho para trás e sinto que devo dar mais valor a tudo aquilo que me era indiferente.
            Tenho passado os dias desejosa de voltar às minhas rotinas, à minha vida normal. Quero tanto sair com os meus amigos e, acima de tudo, dizer-lhes que gosto imenso deles, pis não está a ser nada fácil estar sem eles.
            É superdesgastante a situação de confinamento e de isolamento social e, só de pensar que já não vai ser nada como antes, dói por dentro.
            Tenho imensa pena das pessoas indefesas, que sem qualquer culpa, faleceram e continuam a falecer cada dia que passa.
            Em suma, temos mesmo de viver a vida da melhor maneira possível, dando mais valor aos outros, aos pequenos gestos… A vida é, de facto, um sopro! Acredito, contudo, que tudo vai ficar bem!

Bruna Silva, 10.ºA
Abril 2020



            O COVID-19, um vírus que surgiu na província de Wuhan, teve um puder imenso de alterar por completo a minha vida, não sendo para melhor.
Na minha opinião, para além de mudar a minha vida, mudou também a vida de muitos portugueses, espanhóis, franceses, chineses, enfim, todas as populações do mundo.
            Antes desta pandemia, a nossa vida era normal, podíamos fazer tudo com a máxima normalidade, sair de casa, ir a festas, frequentar a escola, ir ao supermercado, ter encontros com os amigos. Desde que este surto se estendeu a Portugal, a vida dos portugueses passou a ser diferente, mais condicionada ao espaço familiar, tendo sido restringidas muitas coisas, nomeadamente os encontros com os amigos, as idas a festas, mas, acima de tudo, a ida à escola, o que se tornou um verdadeiro problema para mim e decerto para todos.
Com a restrição das saídas, os nossos hábitos rotineiros tiveram de ser modificados, o facto de ir para a escola, não só facilitava o encontro com os amigos e professores, como também, era uma forma de nos arranjarmos e de sair de casa.
Este surto trouxe-me uma enorme tristeza, pelo facto de o Domingo de Páscoa ser passado de maneira diferente, não poder estar com a minha família e não receber a minha madrinha, nem o meu padrinho em casa.
            Concluindo, este novo COVID-19 traz consigo muitas mortes, muitas restrições e consequentemente muita tristeza e preocupações. A meu ver, tudo isto poderá ser superado, mas é preciso que todos cumpram as normas impostas pelo governo.

Rodrigo Bento, 10.ºA
Abril 2020

Minha vida antes do Covid-19 costumava ser agitada e cheia de afazeres. A rotina da minha casa era corrida, costumávamos receber bastante visitas, algumas durante a semana e outras, sobretudo, nos finais de semana.
Eu tinha uma rotina normal de estudante: acordar cedo, estar na escola às 8:30 e retornar por volta das 18:00. Tentava fazer todas as minhas tarefas durante a semana, porque sabia que, no final de semana, era corrido, a menos que eu acordasse mais cedo o que era difícil já que eu nunca acordava antes da 11:00 da manhã. Desde pequenina, mesmo no Brasil, tive aulas de músicas. A música é o meu passatempo favorito das horas vagas, sinto que a música me inspira e me tranquiliza, escutar uma melodia com o ritmo e a harmonia perfeita não tem preço, então todas as terças e sextas-feiras à noite tinha aulas das 20.30 até as 22.00 e aos domingos tinha cultos de jovens às 10:00 de manhã e ensaios com a orquestra as 17:00 da tarde e, logo em seguida, ocorria o culto oficial de todos os meus dias, que eram os meus favoritos da semana.
Por mais que me sentisse cansada da minha rotina de dormir tarde e acordar cedo, eu amava passar tempo com a minha família e amigos, ir à escola, mas o que eu mais gostava mesmo era de sair com meus amigos e ir para aula de música. Lembro-me que minha instrutora e auxiliar da música ralhava comigo todas as vezes que eu pontuava errado as lições e, quando saia do andamento da partitura, só lhe faltava ter um ataque cardíaco. Ela tinha hábito de usar palavras bonitas como motivação, explicava a importância de uma partitura ter um andamento correto e belo, dizia que todas as vezes que saímos do andamento de uma partitura, a música deixa de ter sentido e quando isso acontece não conseguimos senti-la com o coração e o mesmo acontece com as nossas vida quando seguimos pelo caminho errado.
            Sinto uma saudade imensa de ter tudo isso de volta. A minha mãe diz que na nossa vida temos que ter de tudo um pouco, um pouco de amigos, amor, caridade, humildade, conhecimento, respeito ao próximo e devemos fazer a diferença no mundo sem perder nossa essência natural. Confesso que estar em casa o dia todo, tendo de aturar as minhas primas, é terrível, mas ao mesmo tempo é bom ter as pessoas que amamos por perto, por mais que, às vezes, eu sinta uma vontade inexplicável de trancá-las dentro do frigorifico. É difícil sinto-me estar a viver em prisão domiciliária, mas nada que o tempo não possa resolver.
No entanto, a quarentena também teve aspetos positivos, um deles é que eu pude praticar bastante os meus dotes culinários. Vou voltar à escola bem gordinha! Porém, o que me deixou verdadeiramente feliz é conseguir falar com meus amigos e família do Brasil, todos os dias por vídeo chamada. O meu pai, como também está de quarentena, liga-me todos os dias, o que apenas acontecia somente a cada 4 meses, por causa do trabalho dele e do fuso horário. A minha bisa não consegue nem segurar o telemóvel direito, mas ela liga-me sempre e diz para eu não me preocupar que, quando eu casar, ela vai estar lá e não tem Covid-19 que a impeça disso. É muito gratificante me poder sentir perto deles, mesmo estando a quilómetros de distância.
Mirella Santana, 10.ºA
Abril 2020

Antes de esta pandemia nos afetar, eu podia estar com os meus amigos e familiares sempre que quizesse e onde quizesse. Não me apercebia da liberdade que tinha tanto nos meus afazeres na escola, como nos meus tempos livres.
Este tempo que tenho estado em casa, com quase nenhuma liberdade, fez-me sentir muita falta daqueles tempos ocupados pela escola, a aprender e a conviver com os meus amigos e professores.
Contudo este tempo “sozinho” fez-me também perceber quem são os meus verdadeiros amigos, aqueles que realmente se preocupam comigo e que falam comigo quase todos os dias, seja por chamadas, mensagens ou video-chamadas. Por isso quando esta pandemia terminar, é com eles que quero estar em primeiro lugar, para recuperar o “tempo perdido”.
Para concluir, espero que esta pandemia acabe de vez, para que as pessoas, pouco a pouco, voltem às suas rotinas, e possam fazer as pequenas, mas importantes, coisas da vida, como dar abraços, beijos, apertos de mão e conviver novamente de perto com os outros.
Renato Rodrigues, 10.ºA
Abril 2020